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A Importância do CB-SEM na Validação de Questionários: Um Erro Frequente com a Utilização do PLS-SEM

Comparação entre CB-SEM (AFC) e PLS-SEM na validação de escalas e modelos estruturais em investigação científica.

Autor: Mário Rocha

A crescente popularidade do PLS-SEM

Nos últimos anos, o PLS-SEM tornou-se uma das técnicas mais utilizadas na investigação aplicada., sendo que a sua flexibilidade, facilidade de utilização e menor exigência em termos de tamanho da amostra contribuíram para que seja cada vez mais utilizado em diversas áreas como gestão, marketing, educação, saúde e ciências sociais.

Porém é muito importante ter em conta que a popularidade desta metodologia trouxe também alguns equívocos/erros metodológicos que importa discutir, como o caso da utilização do PLS-SEM para validar questionários ou escalas de avaliação.

Validação de questionários não é apenas fiabilidade

É comum encontrar estudos onde a validação de um instrumento é baseada exclusivamente em indicadores como:

  • Consistência interna (Alfa de Cronbach; Fiabilidade composta; Omega)
  • Validade convergente;
  • Validade discriminante.

Embora estes indicadores sejam importantes, a sua existência não garante, por si só, que um questionário esteja devidamente validado, porque um instrumento pode apresentar excelentes indicadores estatísticos e, ainda assim, possuir problemas ao nível da sua estrutura fatorial. Dai a importância da realização da validade fatorial com recurso a uma técnica como a análise fatorial confirmatória (AFC)

O papel da Análise Fatorial Confirmatória (AFC)

Quando o objetivo é validar um instrumento de medida, uma das questões fundamentais é verificar se os dados suportam a estrutura teórica proposta.

Por exemplo, se um questionário foi desenvolvido para medir três dimensões distintas, é necessário demonstrar que os itens se organizam efetivamente de acordo com essa estrutura, é precisamente neste ponto que entra a análise fatorial confirmatória (AFC), normalmente realizada em contexto CB-SEM.

Ao contrário do PLS-SEM, o CB-SEM permite avaliar diretamente o ajustamento entre o modelo teórico e os dados observados através de índices globais de ajustamento, que fornecem evidência sobre a adequação da estrutura fatorial proposta, como por exemplo:

  • CFI
  • GFI
  • TLI;
  • RMSEA;
  • SRMR;
  • Qui-quadrado de ajustamento (x2/gl)

O verdadeiro papel do PLS-SEM

Importa esclarecer que este artigo não pretende desvalorizar o PLS-SEM. Muito pelo contrário. Importa é fazer um correcta distição entre os dois métodos (PLS-SEM e CB-SEM). Deste modo, o PLS-SEM constitui uma metodologia extremamente útil quando o objetivo é:

  • Testar modelos estruturais complexos;
  • Maximizar a variância explicada;
  • Desenvolver teoria;
  • Realizar análises preditivas;
  • Estudar relações entre constructos latentes.

O problema surge quando se assume que bons indicadores de fiabilidade e validade (convergene e divergente/discriminante) são suficientes para concluir que um instrumento está validado, sendo que na realidade, estes indicadores avaliam aspetos importantes da qualidade das medidas, mas não substituem a necessidade de confirmar a estrutura fatorial do instrumento.

Um erro metodológico frequente

É muito comum, na prática, muitos investigadores concluirem que um questionário está validado porque apresenta:

  • Consistência Interna adequada
    • Alfa de Cronbach superior a 0,70;
    • Fiabilidade composta superior a 0,70;
  • Boa validade Convergente
    • AVE superior a 0,50;
  • Critérios de validade discriminante adequados
    • Entre os critérios mais utilizados encontram-se o critério de Fornell-Larcker, baseado na comparação entre a raiz quadrada da AVE e as correlações entre constructos, a análise das cargas cruzadas (cross loadings) e o rácio Heterotrait-Monotrait (HTMT). Atualmente, o HTMT é frequentemente considerado uma das abordagens mais robustas para avaliar a validade discriminante)

Contudo, estas evidências não demonstram necessariamente que os itens representam corretamente os fatores teóricos definidos pelo investigador, o que em muitos casos, apenas uma AFC permite identificar focada em questões como:

  • Cargas fatoriais inadequadas;
  • Itens problemáticos;
  • Cargas cruzadas.
  • Dimensões mal especificadas;
  • Problemas de ajustamento global.

Uma abordagem recomendada

Sempre que possível, a validação de questionários deve ser encarada como um processo sequencial. Assim, uma estratégia frequentemente recomendada consiste em:

  • Desenvolver ou adaptar o instrumento (com processos de tradução-retradução e validade de contéudo, se necessário)
  • Realizar uma Análise Fatorial Exploratória (AFE);
  • Confirmar a estrutura fatorial através de AFC em contexto CB-SEM
  • Utilizar posteriormente o instrumento em modelos estruturais mais complexos, sendo desta forma, a qualidade da medida é também avaliada antes da análise das relações entre constructos.

Considerações Finais

O PLS-SEM é um método extremamente poderoso e útil para testar modelos estruturais e realizar análises preditivas. Contudo, a validação de questionários exige mais do que apenas a análise de indicadores de consistência interna, validade convergente e validade discriminante.

Entao, a demonstração de que a estrutura teórica proposta é efetivamente suportada pelos dados continua a ser um dos pilares fundamentais da validação de instrumentos.

Confundir a avaliação de métricas do modelo de medida com a validação fatorial de um questionário constitui um dos erros metodológicos mais frequentes na utilização do PLS-SEM, sendo como tal fundamental proceder a análise fatorial confirmatória através do método CB-SEM.

Para mais informações sobre os métodos PLS-SEM e CB-SEM pode também ler o nosso artigo mais especifico:

CB-SEM e PLS-SEM: quando usar cada abordagem?

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