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Autor: Mário Rocha
As meta-análises são uma das mais importantes metodologias para resumir de forma quantitativa evidências científicas disponíveis de diversos estudos.
Para Borenstein et al. (2009) esta consiste na combinação estatística dos resultados de múltiplos estudos independentes que procuram dar resposta a uma mesma questão de investigação, possibilitando a obtenção de estimativas mais precisas do que aquelas produzidas unicamente por estudos isolados.
Posteriormente um outro autor (Al-Namaeh, 2025) afirmou que a meta-análise é uma ferramenta fundamental para a tomada de decisão baseada na evidência, especialmente em àreas como as ciências da saúde e outras áreas com um elevado volume de investigação publicada.
Qual é, então, o o verdadeiro objectivo de uma meta-análise?
Toda a meta-análise tem como principal objectivo resumir de modo quantitativo os resultados de vários estudos, recorrendo a medidas de tamanho de efeito que permitam comparar e combinar os resultados obtidos em diferentes investigações (Borenstein et al., 2009).
E neste sentido qual é a sua importância?
Uma das principais vantagens desta metodologia é a possibilidade de aumentar o poder estatístico através da combinação de múltiplas amostras, o que faz com que as estimativas obtidas tendam a apresentar uma maior precisão e uma menor influência do erro amostral (Borenstein et al., 2009).
Ao falarmos de meta-análise é importante considerar questões como a heterogeneidade e os viês de publicação. O que é isso ao certo?
É importante não só avaliar a estimativa global do efeito mas também o grau de consistência entre os estudos incluídos. Para o efeito e conforme indicado no Cochrane Handbook, valores de I² entr 50% e 75% sugerem heterogeneidade substancial, enquanto valores superiores a 75% indicam heterogeneidade elevada (Al-Namaeh, 2025).
Bartos et al (2022) mencionam o vies de publicação como algo que constitui uma ameaça a ter muito em conta para a validade das meta-análises. Este ocorre quando estudos com resultados estatisticamente significativos apresentam maior probabilidade de publicação do que estudos com resultados nulos ou não significativos.
Para além de conhecer estas questões mais metodológicas é, também, importante saber como analisar os resultados numa meta-análise, e como tal quais os sofwares mais comumemente utilizados.
São diversos os softwares utilizados para este tipo de análise, destacando-se alguns mais tradicionais como RevMan, Comprehensive Meta-Analysis e R, e alguns mais atuais e bastante intituivo como o JASP e o Jamovi, que permitem realizar meta-análises de forma relativamente acessível. O JASP, por exemplo, destaca-se por ser gratuito, open source e disponibilizar uma interface intuitiva para investigadores sem experiência avançada em programação. Um artigo futuro abordará detalhadamente a realização de meta-análises neste software.
Em suma, as meta-análises definem-se como uma das metodologias mais robustas para resumir evidência científica, ao possibilitar combinar resultados de múltiplos estudos e obter conclusões mais precisas e fundamentadas. Para além de elevararem mais o poder estatístico das análises, também permitem uma melhor compreensão dos fenómenos estudados e apoiam a tomada de decisões baseadas na evidência.
Contudo é importante considerar que a realização e interpretação de uma meta-análise exige conhecimentos metodológicos e estatísticos específicos, como a avaliação da heterogeneidade, do viés de publicação e a escolha dos modelos estatísticos mais adequados.
Se pretende realizar uma meta-análise no âmbito de uma dissertação, tese, artigo científico ou projeto de investigação, a Análise Estatística disponibiliza apoio especializado em todas as fases do processo, desde a definição da metodologia até à interpretação e apresentação dos resultados.
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Al-Namaeh, M. (2025). Meta-analysis: A to Z for healthcare professionals. Cureus, 17(3), e80846. https://doi.org/10.7759/cureus.80846
Bartoš, F., Maier, M., Quintana, D. S., & Wagenmakers, E.-J. (2022). Adjusting for publication bias in JASP and R: Selection models, PET-PEESE, and robust Bayesian meta-analysis. Advances in Methods and Practices in Psychological Science, 5(3). https://doi.org/10.1177/25152459221109259
Borenstein, M., Hedges, L. V., Higgins, J. P. T., & Rothstein, H. R. (2009). Introduction to meta-analysis. John Wiley & Sons.